Fit Life Choice

É às seis e vinte que me levanto todo os dias para ir para o ginásio. Vou, não porque é moda, mas pela minha saúde. De manhã tenho sempre duas opções: continuar a dormir ou levantar o rabinho da cama. Simples. Não vos vou mentir e dizer que não custa. Há dias que penso “Porque é que estou a sair da cama?” Ainda está noite lá fora quando saio de casa. Serei louca?

“Como é que consegues levantar-te a essa hora?”. Força de vontade é a palavra de ordem. Não foi uma, nem duas, mas sim sete! Sete pessoas que já me disseram o seguinte: “Porque é que vais para o ginásio? Não precisas, já és tão magrinha.” Ora ai é que está a questão. Eu não vou ao ginásio para emagrecer mas precisamente para fazer o oposto: GANHAR PESO. Assustador para alguns, a coisa acertada a fazer para mim. Não me sentia mal com o meu corpo, não me interpretem mal. Acima de tudo foi uma questão de saúde e bem-estar.

O importante não é bem o nosso peso mas sim como está o nosso corpo e como nos sentimos. Quando digo aos meus amigos que neste momento peso 60 quilos (ou melhor 59,8) não acreditam! Se me sinto gorda? NUNCA! Estou como nunca estive (e ainda não estou como quero estar). 65 é o objetivo (e já estive mais longe). Quando regressei ao ginásio, há quase 10 meses, tinha pouco mais de 50 quilos. Já ganhei 10! Surpreendentemente nunca me senti tão bem. Ninguém pode dizer que estou gorda porque isso seria mentira. Não é a balança que me define. Se para estar com umas pernas definidas tenho de ter 60 quilos, então que seja! Antes era a “Maria Pernas de Alicate”. Agora não.

Já tinha frequentado o ginásio quando tinha 15 anos. Quando me mudei para Coimbra, para estudar Jornalismo, o ginásio ficou para trás. A juntar a isto a minha alimentação não era das mais cuidadas. Mesmo assim continuava magra. Muitas pessoas sonham com um metabolismo como o meu! A verdade é que só comia porcaria atrás de porcaria (tudo à base do “desenrascanço”) e era extremamente magra (mais do que gostava de admitir).

Junho de 2014. Deu-se o click. Não sei o que se passou comigo. Eu era a preguiça em pessoa, sem tirar nem por. Só estava bem de "cu alapado no sofá". Não fazia nada. Zero. Nicles. Rien de rien. Só sei que acordei e disse à minha mãe "Vou voltar para o Ginásio". Acho que nem ela queria acreditar. Acreditou quando, de facto, me viu lá.A adaptação a este estilo de vida não foi fácil. Ainda hoje tem dias que não é. Acho que todos concordamos que sabe bem ouvir dizer que estamos mais bonita(o)s. Eu não tinha perna, simplesmente não tinha. Era uma “franga”. Ganhar músculo nas pernas e aumentar o glúteo é das coisas que mais batalho. Cada um tem as suas manias, estas são as minhas. Hoje sinto-me bem.

Depois há o lado da alimentação. Isso sim, deu uma volta completa de 360 graus. Cozinhar era para mim um bicho de sete cabeças. Não sabia fazer quase nada e na verdade nunca senti necessidade de aprender.  Aprendi sozinha e por necessidade. Lá ligo à minha avó para me dar as dicas de vez e quando. Mas tudo o que faço, faço sozinha. Vejam lá bem que até já tenho uma mão cheia de receitas minhas! A cozinha tornou-se uma paixão. Agora dou por mim a pensar em receitas, a pensar no que vou fazer, no que vou inventar. Não vale de nada treinarmos se não comermos bem. As vitaminas, nutrientes, proteínas... tudo é fundamental para o nosso rendimento. Ver-me livre das pizzas, hambúrgueres e afins foi fácil. Difícil é resistir aos doces. Há dias que nem o nosso senhor me acude! Todos temos desses dias. Eu não me privo de nada. Se me apetecer um chocolate como, não e por isso que vou estragar seja o que for. Não vou é comer um chocolate todos os dias. E só um esclarecimento: eu não faço dieta, eu como de forma saudável. São duas coisas diferentes. 

Uma coisa é certa. Estou completa e irremediavelmente viciada (e apaixonada) no exercício físico e no estilo de vida saudável. É a minha terapia. Se antes, quando estava triste ou chateada ia encher a barriga de chocolates hoje, a minha terapia, é ir fazer uns quantos agachamentos e mais uns tantos abdominais. Adoro treinar! Um dia sem fazer exercício para mim não é um dia feliz. Não têm noção como é difícil para mim ter um – deviam até ser dois - rest-day. Desespero porque quero ir ao ginásio e o meu orientador me “proíbe” (mas como eu sou uma rebelde vou à mesma, de segunda a domingo!).

Não estou aqui para dar lições de moral a ninguém. Cada um sabe de si. Mas uma coisa é certa: É possível! Basta ter força de vontade. É preciso querer! Arranjar desculpas está fora de questão! Se não for assim nem o menino Jesus nos vai valer! Haja força. Haja organização. Haja vontade. Haja método. E arranja-se maneira, seja qual ela for. (A minha é madrugar…). Volto a repetir. Nada é impossível, desde que tenhamos força de vontade e muita, mesmo muita, dedicação e amor pelo que fazemos. Moral da história: tudo é possível. Basta querer.