Dias Felizes

O dia nasceu cinzento e choroso. Apetecia-me ficar em casa, na cama, debaixo dos cobertores bem quentinha. Não fiquei. Força de vontade foi a palavra de ordem. Fui mais forte que a preguiça. Acordei cedo e sem custo (já sabia ao que ia e estava feliz). Tomei um super pequeno-almoço. Equipei-me e segui rumo ao Pump. Passei a manhã no ginásio. Que bem que me soube fazer um treino de mais de hora e meia (durante a semana só treino 45 minutos por dia). Estava mesmo a precisar de gastar as minhas energias e restabelecer o meu equilíbrio. O ginásio é o meu escape. A melhor maneira de desanuviar. Soube-me pela vida!

Tinha a tarde pela frente. O temporal que se fazia sentir na rua não era de todo convidativo. A chuva, o vento, o frio…  Mas estando eu nesta cidade linda (ainda com tanto por descobrir) ia desperdiçar o meu precioso tempo fechada em casa? Nem pensar! Decidi aventurar-me. Destino de hoje - uma célebre pastelaria lisboeta: a Padaria Portuguesa.


Entrei e fiquei, instantaneamente, com os olhos fixados na vitrine. Se disser que tinha tudo (mas mesmo tudo!) um aspeto delicioso estarei a ser exagerada? Bolo rei, bolo rainha, doces de natal (sonhos, rabanadas, filhós), croissants de chocolate, croissants brioches, bolo brigadeiro, pasteis de chaves, queques, tartes, doces, biscoitos, bolos e bolinhos.. E o pão! Ai o pão! Pão tigre, com chouriço, de centeio, de sementes, de passas, de nozes (o meu favorito), broa de milho, bola de água, pão prokoru e outros que tal.








Não consegui resistir. O meu pecado: croissants francês de chocolate e uma fatia de bolo brigadeiro (que estava a gritar pelo meu nome!). Para dizer a verdade estava tudo a gritar pelo meu nome mas eu contive-me (mais ou menos!).



Não podia sair da Padaria Portuguesa sem provar o seu manjar mais célebre: Pão de Deus! Eu adorooo Pão de Deus e, como sou uma fraca, antes de me ir embora comprei um para levar e provar mais tarde. Veredicto final: o melhor que já saboreei em toda a minha vida! Fofo, leve, húmido e com muito côco. Como eu adoro!

Vou voltar (nem poderia ser de outra forma). Na próxima vou resistir às “gordices" (ou pelo menos vou tentar). Vou levar apenas pão para o pequeno-almoço. Prometo!

Os dias têm sido de muito trabalho. O tempo não pára. A semana começou calma com o feriado. E até hoje foi um crescente de trabalho.

A quinta-feira na Renascença foi dia de festa. Regressou o Zeca (depois de 4 meses de baixa). Tal como o resto da equipa, é um espetáculo, uma pessoa “cinco estrelas”, um profissional de exceção.

Para mim também foi um dia especial. Sai pela primeira vez em serviço (com o Zeca, o “Homem dos Serviços”). Destino: Palácio de São Bento. (e deixem-me que vos diga que o Palácio é lindo, principalmente os jardins!).


António Costa ia reunir-se com o Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho. A solene reunião pedia a presença dos jornalistas. O serviço foi atribulado. Estava a ver que não me deixavam entrar. Como sou uma “recém-estagiária” ainda não tenho na minha posse a carteira profissional de estagiária. Não tinha um documento que comprovasse isso mesmo. A segurança é apertada. Depois de uma longa espera e de telefonemas e mais telefonemas lá deixaram a “estagiáriazeca” entrar. 

Uma reunião que deveria ter demorado trinta minutos demorou umas longas duas horas. Lado menos positivo do trabalho jornalístico: as valentes “secas” que se apanham em serviços desta natureza. Para mim nem foi uma seca assim tão grande. Estava entusiasmadíssima por ter saído da redação, por estar onde estava, por estar a conhecer outra faceta do trabalho. As horas passaram a correr. Partilha de experiências, sábias palavras, histórias inacreditáveis. Entre conversas com o Zeca (que me deu conselhos a não esquecer) e com todos os outros jornalistas que lá estavam o tempo passou sem pesar.

De repente António Costa estava pronto para declarações. Não lhe fiz pergunta alguma e, mesmo que quisesse, não conseguiria. Os jornalistas “atropelavam-se”, cada um com a sua questão. A conferência foi curta. Estava na hora de regressar à redacção e escrever a notícia. 




Quando há trabalho não dou pelo tempo passar. Adoro cada minuto. Cada tarde passada naquela redação. As semanas passam a correr. Não dou pelo tempo passar. Deve ser bom sinal. Indício de que adoro esta vida. Se dúvidas tinha se era mesmo isto que queria fazer, dúvidas já não restam. Cada dia estou mais segura da escolha que fiz. Todos do dias sou feliz.